As plataformas replicantes para a indústria nacional de O&G

As plataformas replicantes para a indústria nacional de O&G

14 Fev 2019

A indústria nacional de óleo e gás (O&G) movimenta os mais diversos setores, começando pela construção civil, passando pela engenharia, construção e montagem eletromecânica até chegar à fase final do comissionamento dos sistemas envolvidos. E tudo isso, envolvendo um elevado número de pessoas. Enfim, essa indústria é dependente de uma complexa e grande rede de fornecimento. Mas, historicamente, somos um país com grande dependência externa, seja de fornecedores, seja de produtos.

Desde 1936, data do primeiro poço comercial no Brasil até o início da década de 1970, praticamente todos os insumos necessários para a construção de unidades indústriais de petróleo eram importados. Esse cenário mudou no período chamado de milagre econômico (entre 1960 e 1970) quando a Petrobras decidiu fazer investimentos em obras para garantir o suprimento de insumos no Brasil. Contudo, na segunda metade da década de 1990, houve uma redução do nível de investimentos da companhia e uma mudança na forma de contratação das obras.

O cenário voltou a melhorar significativamente no final do ano de 2003, ano da criação do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (PROMINP), um desdobramento da política de conteúdo local (CL), estabelecida anos antes pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis); com o objetivo de ampliar a participação da indústria nacional no fornecimento de bens e serviços e colocá-la em um patamar de competividade de classe mundial, de forma a transformar os investimentos no setor em geração de emprego e renda ao país. E, é nesse momento que temos o grande divisor de águas para a indústria nacional de O&G; uma vez que surgem os grandes projetos da Petrobras voltados à exploração de petróleo, principalmente na área do Pré-Sal.

Um destes grandes projetos foi chamado de "Plataformas Replicantes", que tinha como objetivo, construir oito plataformas (P-66 a P-73), sendo que a construção integral dos cascos seria realizada no Estaleiro Rio Grande (ERG – ECOVIX) e os serviços de Topside e Integração seriam divididos e realizados em estaleiros do Brasil. Só para se ter uma ideia das dimensões desse projeto, estudos revelam que a construção de um casco novo custa em torno de US$ 2,5 bilhões, podendo gerar 10.000 empregos diretos no pico das obras. Já os serviços de integração de uma plataforma representam investimentos na ordem de US$ 1,7 bilhões e, no pico, podem gerar até 6000 empregos diretos. E, é nesse grande projeto que a Altus foi escolhida para ser a principal fornecedora de automação, mostrando sua competividade frente aos grandes "players" mundiais deste setor; uma empresa de tecnologia nacional controlando a exploração do petróleo no Pré-sal.

Infelizmente, somente a P-66 foi concluída dentro dos moldes previstos originalmente. Em função dos desdobramentos da lava-jato, fechamento da ECOVIX e negociação entre as partes, as P-71, P-72 e P-73 foram suspensas e todas as demais plataformas foram, tiveram ou terão alguma parte finalizada na China. Mesmo assim, com essa nova realidade, a Altus continua atuando e fornecendo suas soluções, seja através dos seus profissionais indo até o continente asiático (P-67 já está finalizada, P-69 iniciada e P-70 em andamento), seja aqui no Brasil (P-69 concluída e P-68 em andamento) para prestar todo o apoio técnico necessário a fim de concluir as etapas de comissionamento (finalização) destas plataformas.

Os ótimos resultados desses projetos já estão aparecendo. A P-66, primeira plataforma replicante em operação desde maio de 2017, é atualmente a sexta instalação em produção de petróleo com 135.391 bbl/d (Fonte). A P-69 entrou em operação em outubro do ano passado. Já a P-67 entrou em operação em janeiro deste ano. Ambas devem ter uma produção muito semelhante a sua irmã P-66, elevando ainda mais a produção de petróleo da área do pré-sal.

Participando diretamente desses projetos desde 2012, presenciei muita evolução. Vi muita coisa. Temos profissionais altamente capacitados que encontram petróleo e desenvolvem tecnologias de produção em lâminas d’água e profundidades que nenhum outro país conseguiu. Mas, por outro lado, alguns fornecedores pecam por não conseguir concluir as obras no prazo e/ou dentro dos custos previstos. Precisamos mudar essa lógica! Começando pela melhoria na gestão da engenharia nacional, banindo a cultura de que resultados devem estar atrelados a alterações de projetos e extensões de prazo e, focando sim, na engenharia de fato.

Sobre o autor

Regis Henz iniciou sua trajetória na Altus em 2008, como integrante da equipe de validação do setor de P&D. Após 3 anos, foi convidado a integrar o time de Engenharia no projeto de automação das plataformas P-58 e P-62 e, desde 2012, desempenha a função de coordenador técnico no projeto das 8 plataformas replicantes do Pré-Sal.