A Importância da Missão nas organizações

A Importância da Missão nas organizações

29 Ago 2019

As pessoas, como indivíduos, e as organizações, como entidades, compartilham características comuns, como desenvolverem, com o passar do tempo, as personalidades que formam as filosofias que movem suas ações. Sem um propósito ou missão, ambas, as pessoas e as organizações, ficam enfraquecidas. A construção da identidade de uma corporação começa na definição de sua missão, sua razão de ser, seu propósito, seu enfoque, sua meta.

O termo Missão está entre as palavras mais abstratas, mais exploradas e mais distorcidas nas organizações. Nas graduações, pós-graduações e MBA’s, os alunos muitas vezes são convidados a escrever declarações e discutir sobre o que seria um bom exemplo de missão, algo que acaba se tornando bastante vazio por ser feito em um ambiente nada propício para tal. Muitas empresas fazem o mesmo com seus executivos, tentando produzir uma bonita placa, de aspecto nobre, para pendurar nas paredes da empresa.

Quase sempre, tais exercícios acabam por produzir um conjunto de palavras genéricas que não significam muita coisa e só servem para desorientar e deixar os colaboradores céticos. Quem de nós não conhece uma declaração de missão mais ou menos como "A empresa X valoriza a qualidade e os serviços" ou "A empresa Y é movida a clientes"? Hoje em dia, qual grande empresa não valoriza qualidade e serviços ou não se concentra nos clientes?

Em contrapartida a tudo isso, uma boa declaração de missão e um bom conjunto de princípios podem ser tão reais a ponto de inspirar por sua concretude. Em 1973, Peter Drucker já citava que a finalidade de uma empresa e a sua missão são tão raramente consideradas que talvez essa seja a principal causa da frustração e fracasso das organizações. Uma empresa não se define pelo nome, estatuto ou produto que faz, ela se define pela sua missão. Somente uma definição clara da missão é a razão da existência da empresa, tornando possíveis, claros e realistas os seus objetivos.

Jack Welch, o grande nome da General Eletrics por duas décadas, cita que a missão de uma empresa deve anunciar, com exatidão, para onde se está indo e os princípios descrevem os comportamentos que o levarão até lá. Para o ex-CEO da GE, uma declaração de missão eficaz responde basicamente a uma pergunta: como pretendemos vencer em nosso negócio? Essa pergunta obriga as empresas a identificar seus pontos fortes e fracos a fim de avaliar onde podem atuar de maneira lucrativa no panorama competitivo.

Isso tão pouco significa que a missão não deva ser ousada ou inspiradora. Vejamos a missão da Altus como exemplo. Depois que passamos por uma reestruturação interna e pelos últimos turbulentos anos no Brasil, ambicionamos "Desenvolver, fabricar e fornecer equipamentos e soluções globais de automação industrial gerando valor superior para o cliente e as demais partes interessadas". Não há dúvidas sobre o significado e as consequências dessa missão. É específica e descritiva, sem nada de abstrato. E também é inspiradora, principalmente por sua ambição global.

O processo de amadurecimento, a ponto de traduzir toda a crença contida nesse conjunto de palavras em comportamentos, pode levar anos e é uma das coisas mais difíceis para uma companhia fazer com sucesso. Estrategicamente falando, a missão nos possibilita uma maior compreensão das prioridades da empresa e onde devemos concentrar nossos esforços. A missão faz com que uma empresa seja eficaz a ponto de seus colaboradores fazerem as coisas certas, ao invés de somente fazerem certo as coisas.

Manoela de Lima

Sobre o autor:

Ulisses Souza entrou para a família Altus em 2014 como Líder de Fábrica na equipe Industrial. Hoje, ocupa o cargo de Coordenador de Produção e é responsável pelo comando das áreas de montagem, testes e reparo de equipamentos.