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    Conhecendo o protocolo MMS (IEC 61850)

    Conhecendo o protocolo MMS (IEC 61850)

    O que você encontra nesta leitura

    A dificuldade de comunicação entre sistemas industriais pode se tornar um problema de alto custo. Cada nova integração exige desenvolvimento próprio, testes extensivos e manutenção contínua. É preciso criar drivers dedicados, mapear variáveis manualmente e validar cada cenário de falha. O resultado é: aumento de prazo, aumento de custo e mais riscos operacionais.

    Foi assim que a ISO 9506, conhecida como MMS (Manufacturing Message Specification), ganhou relevância. Desenvolvido inicialmente pela General Motors para resolver problemas em ambientes de manufatura automatizada, o MMS introduziu um modelo estruturado de comunicação para automação industrial.

    Em vez de trocar apenas registradores ou blocos de memória sem contexto, o MMS passou a tratar informações como objetos organizados (variáveis, domínios, listas e programas) acessíveis por serviços padronizados. Sua estrutura baseada no modelo OSI e sua independência de meio físico permitiram aplicação sobre diferentes infraestruturas de rede.

    No setor elétrico, sua importância vem se tornando ainda mais evidente. A IEC 61850 utiliza o protocolo MMS para a comunicação entre dispositivos inteligentes (IEDs) em subestações para viabilizar troca de informações em operações críticas com previsibilidade e consistência. Conheça esse protocolo neste artigo.

    A origem da ISO 9506

    No início da era digital nas fábricas, se uma planta instalasse um controlador da Marca A, teria que utilizar sensores e softwares daquela mesma marca, devido ao protocolo de comunicação que era proprietário e fechado. Esse fenômeno, conhecido como protocol lock-in, limitava a inovação e aumentava os custos, criando ilhas que não trocavam informações entre si.

    A ISO 9506 surgiu como um esforço para padronizar essa comunicação. Publicada originalmente em 1990, ela não foi desenhada apenas para mover bits e bytes, mas para fornecer um sistema de mensagens em tempo real capaz de transferir dados de processo e informações de controle supervisório entre dispositivos em rede de forma transparente. Diferente de protocolos da época, como o Modbus, que se concentrava em endereços de memória brutos, o MMS define um modelo onde os recursos físicos de uma máquina são representados como objetos lógicos. Isso permite que o sistema supervisório não precise saber exatamente em que endereço de memória está um dado, mas sim qual é o “nome” e o “tipo” do objeto que ele deseja acessar.

    Essa mudança foi o primeiro passo real para a integração entre a Tecnologia Operacional (OT) e a Tecnologia da Informação (TI), permitindo que dispositivos de diferentes fabricantes se comunicassem de forma eficiente.

    A arquitetura VMD

    No núcleo do protocolo MMS está um conceito fundamental: o Virtual Manufacturing Device (VMD), ou Dispositivo Virtual de Manufatura. O VMD funciona como um “avatar” digital da máquina física, ocultando as complexidades específicas do hardware do fabricante e apresentando uma interface padronizada de objetos e serviços.

    Dessa forma, aplicações clientes interagem com um modelo estruturado, sem a necessidade de detalhes internos da implementação física, favorecendo a interoperabilidade e a portabilidade entre os dispositivos.

    Em uma arquitetura tradicional, o operador precisava saber exatamente que a temperatura estava, por exemplo, no registrador 40001 daquele CLP específico. Essa dependência de endereçamento fixo tornava a integração rígida.

    Com o MMS, a lógica muda completamente. Em vez de acessar um endereço numérico, o sistema pode simplesmente requisitar ao VMD o valor do objeto denominado “Temperatura”. O VMD é responsável por traduzir essa requisição para a linguagem interna da máquina e retornar à informação solicitada.

    É justamente esse modelo orientado a objetos que sustenta a interoperabilidade. Caso o CLP seja substituído por outro fabricante, o sistema continuará operando normalmente, desde que o novo VMD disponibilize o mesmo objeto “Temperatura”. A aplicação permanece inalterada, pois a interface lógica se mantém consistente.

    Estrutura de objetos no VMD

    O protocolo MMS define uma série de objetos padrão que devem existir em cada dispositivo para facilitar operações de leitura, escrita e sinalização de eventos. Abaixo, detalhamos os principais componentes que formam essa estrutura:

    Objeto MMSDescriçãoFunção
    VMD (Virtual Manufacturing Device)O objeto principal que encapsula todos os outros recursos do dispositivo.Representa o dispositivo físico na rede (ex: um robô ou um relé).
    Variáveis (Variables)Dados de processo, como estados, medidas e setpoints.Monitorar a pressão de um sistema ou o estado ligado/desligado.
    Domínios (Domains)Áreas de memória que podem conter programas ou grandes blocos de dados.Realizar o download de uma nova lógica de controle para a máquina.
    Diários (Journals)Registros cronológicos de eventos, alarmes e mudanças de estado.Auditoria de falhas e rastreabilidade histórica de eventos críticos.
    Arquivos (Files)Estruturas de dados armazenadas localmente no dispositivo.Transferir logs de falhas ou arquivos de configuração SCL.

    Essa organização permite que o MMS suporte diferentes tipos de dispositivos, desde sensores simples até máquinas complexas, mantendo a transparência na comunicação.

    O modo cliente/servidor

    Para garantir que a comunicação ocorra sem falhas em ambientes hostis, como subestações ou linhas de produção, o MMS utiliza o modelo clássico cliente-servidor, mas com uma camada de robustez superior.

    Nesse modelo, o Cliente é tipicamente um sistema de nível superior, como um SCADA (Sistema de Supervisão), um gateway ou um sistema MES (Manufacturing Execution System). O cliente é quem solicita as informações ou envia os comandos de controle. Já o Servidor é o dispositivo, como um CLP, um dispositivo inteligente (IED) ou um sensor, que possui os dados e executa as ações solicitadas.

    Diferente de protocolos baseados em broadcast (onde a informação é disparada para a rede sem confirmação), o MMS opera através de um mecanismo estrito de requisição e resposta. Quando o cliente solicita uma ação, como a escrita de um valor em uma variável, o servidor processa o pedido e envia uma resposta confirmando se a operação foi executada com sucesso ou detalhando o motivo de uma falha. Esse feedback constante é o que torna o MMS ideal para aplicações críticas.

    Serviços do protocolo MMS

    A norma ISO 9506-1 define uma vasta gama de serviços que permitem ao cliente interagir com o modelo de dados do servidor. Esses serviços são categorizados para atender a diferentes necessidades operacionais, desde o monitoramento em tempo real até a manutenção remota de dispositivos:

    • – Acesso a variáveis e monitoramento de processos: o serviço mais comum é o de acesso a variáveis, que permite a leitura e escrita de dados individuais ou conjuntos de dados. Através de serviços de leitura (Read) e escrita (Write), o cliente pode obter o estado atual de uma máquina ou alterar parâmetros de operação em tempo real. Além disso, o MMS também suporta a definição de listas de variáveis, permitindo que o cliente solicite múltiplos dados em uma única mensagem.

    • – Gerenciamento de eventos e alarmes: um dos grandes diferenciais do MMS é a sua capacidade de lidar com eventos de forma nativa. Em vez de o cliente precisar perguntar constantemente ao servidor “Houve algum erro?”, o MMS permite a configuração de relatórios de eventos. Quando uma condição específica ocorre (ex: uma temperatura excede um limite), o servidor MMS gera uma notificação automática, constrói um dataset representando a mudança e o envia através de um relatório, que pode ser configurado para ser enviado de forma imediata ou acumulada.

    • – Transferência de arquivos e gestão de lógica: para a manutenção de sistemas industriais, o MMS oferece serviços de gerenciamento de arquivos. Isso permite o upload ou download de arquivos de configuração e logs de eventos diretamente através do protocolo de comunicação. Esse recurso elimina a necessidade de cabos de programação dedicados ou acessos físicos aos dispositivos.

    MMS vs. Modbus vs. OPC UA

    Para o gestor industrial que precisa decidir qual tecnologia adotar, é vital entender o posicionamento do MMS em relação a outros gigantes da comunicação industrial.

    CaracterísticaModbus (TCP/RTU)MMSOPC UA
    ArquiteturaMestre-Escravo (RTU) / Cliente-Servidor (TCP)Cliente-Servidor (Objetos)Cliente-Servidor / Pub-Sub
    DadosRegistradores numéricos brutosObjetos Virtuais (VMD) estruturadosModelos de informação ricos e semânticos
    Facilidade
    de uso
    Muito simples e diretaRequer configuração detalhada (SCL)Alta complexidade de implementação
    SegurançaNão nativa (depende de TLS/VPN)Robusta via IEC 62351Integrada (Criptografia e Certificados)
    AplicaçõesAutomação básica e dispositivos simplesEnergia, Manufatura Crítica e IEDsIntegração IT/OT e Indústria 4.0
    Mecanismo de TrocaPolling constante (Pergunta-Resposta)Event-Based e Reports automáticosReport on Change e Assinaturas

    O Modbus segue como um dos protocolos mais usados na indústria, principalmente devido à sua simplicidade estrutural e facilidade de implementação. Entretanto, sua arquitetura limita o tratamento de dados estruturados e oferece recursos restritos em termos de segurança.

    O OPC UA, por sua vez, representa uma abordagem orientada à alta conectividade, nuvem e IIoT. Com modelo de dados robusto e mecanismos nativos de segurança, proporciona mais flexibilidade e interoperabilidade. Em contrapartida, essa sofisticação pode implicar maior complexidade de implementação.

    Já o MMS aparece como uma solução estratégica para o controle em tempo real de infraestruturas críticas, particularmente em ambientes que exigem conformidade com normas internacionais como a IEC 61850 com alta robustez.

    Integração no MasterTool v 3.77

    Em nosso compromisso contínuo com a inovação, anunciamos que o protocolo MMS está agora plenamente integrado ao nosso software de programação e configuração, o MasterTool IEC XE, a partir da versão 3.77.

    O MasterTool já é conhecido por ser uma ferramenta completa para programação, depuração e simulação de aplicações baseadas na norma IEC 61131-3. Com a inclusão do suporte nativo ao MMS, eliminamos algumas barreiras de engenharia significativas:

    • – Configuração nativa de servidores MMS: agora é possível configurar as CPUs da linha HX (Xtorm) como servidores CLIENT diretamente dentro do ambiente MasterTool.

    • – Mapeamento de objetos facilitado: a nova versão permite que o usuário selecione as variáveis do seu projeto e as transforme em objetos MMS (VMD) de forma intuitiva, sem a necessidade de ferramentas externas.

    • – Suporte ao setor elétrico: esta integração reforça a capacidade das CPUs Altus de atuarem como IEDs em projetos de automação de subestações seguindo a norma IEC 61850, permitindo o envio de mensagens e relatórios MMS de forma sincronizada.

    • – Diagnósticos mais ágeis: a integração do protocolo na versão 3.77 permite que o operador visualize o tráfego de mensagens MMS e identifique rapidamente problemas na comunicação.

    Baixe a versão 3.77 do MasterTool clicando aqui

    A indústria do futuro não será definida apenas pela potência de suas máquinas, mas pela clareza e velocidade com que elas conseguem se comunicar. Integrado às soluções da Altus, esse protocolo estabelece uma base sólida para a interoperabilidade das máquinas, a robustez operacional e a longevidade tecnológica.

    Interessado em descobrir como o MasterTool pode elevar o desempenho da sua operação? Preencha o formulário e fale com a nossa equipe comercial para entender como essa solução pode transformar seus projetos.

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