Remodelagem em projetos de produtos com base na realidade do usuário

Remodelagem em projetos de produtos com base na realidade do usuário

10 Dez 2019

Vasto é o mercado de automação hoje e muitas são as ofertas de controladores, de modo que para manter-se competitivo é preciso ter atrativos o suficiente para se destacar em meio às diversas marcas e modelos existentes. Não basta oferecer o produto mais barato, sobretudo na área de automação, onde muitas vezes há risco envolvido. É preciso ter um produto robusto que suporte os nocivos ambientes aos quais ele é destinado. Também é preciso ser versátil para que seja capaz de atender às mais diferentes áreas da indústria.

A fim de atender a essas e outras demandas do mercado, a especificação de cada projeto de produto é feita baseando-se nas demandas de marketing, na experiência dos vendedores e no conhecimento acumulado ao longo dos anos a respeito das técnicas e características dos sistemas de automação. Contudo, por maior que seja a experiência acumulada, o número de informações levantadas sobre os casos de utilização e demanda do produto, assim como as horas investidas em testes para garantir sua qualidade, alguns casos de uso bem específicos podem passar despercebidos.

Ao deparar-se com um destes cenários não previstos durante o desenvolvimento, o cliente, o suporte ou mesmo um vendedor entra em contato com a equipe de P&D para registrar a falta da funcionalidade ou fragilidade do produto. A partir disto são mensuradas as alterações necessárias para atender ao cliente, a disponibilidade de execução (recursos), o prazo e a viabilidade. 

Cabe ao P&D estudar e compreender as necessidades do cliente ou, se for o caso, a falha no produto e, a partir desta nova situação não prevista, adequá-lo para que possa atender adequadamente à demanda.

Caso de aplicação em cliente

Um exemplo de cenário mal compreendido pela equipe de desenvolvimento e testes que recentemente veio à tona foi o caso de um cliente que fabrica máquinas extrusoras e utiliza um módulo para leitura de sensores de temperatura fornecido pela Altus em suas máquinas como parte importante do processo. Em fevereiro de 2019 ele contatou a empresa relatando que os módulos estavam demasiadamente sensíveis ao ruído gerado na máquina, ocasionando leituras erradas de temperatura pela aplicação, como pode ser observado na imagem abaixo.


Figura 1 – Entradas Analógicas na aplicação do cliente


Os canais de entrada indicavam para a aplicação que estavam ocorrendo grandes variações instantâneas de temperatura nos diversos pontos da máquina e, além disso, um deslocamento constante ocorria na maioria dos canais conforme os motores da máquina iam sendo acionados.

Após alguns ensaios para entender a natureza deste comportamento, sobretudo do offset gerado nas entradas, montamos uma bobina com os fios que ligavam um motor AC de ¼ CV a um inversor de frequência para amplificar os ruídos gerados por esse conjunto. O inversor foi utilizado para partir o motor, realizando uma rampa de frequência de 1Hz à 70Hz e, assim, encontrar algum possível ponto de maior vulnerabilidade na faixa de frequências. 

Com os testes realizados, observamos o seguinte comportamento:


Figura 2 – Entrada Analógica no laboratório


Como pode ser observado, ocorre um deslocamento na medição de temperatura, tal qual reportado pelo cliente. Tendo então um cenário adequado, foi realizada uma investigação da causa desta sensibilidade.

A partir disso, após analisar o projeto de software e hardware foi constatado que o módulo possui uma fragilidade a ruídos AC gerados na saída de inversores de frequência, principalmente abaixo de 50Hz. O que explica porque esta sensibilidade não foi detectada durante o processo de desenvolvimento e validação, pois se entendia que os principais ruídos AC que poderiam afetar o módulo em campo seriam 50Hz e 60Hz, as frequências da rede de energia.

Após a implementação de um novo filtro o módulo passou a ignorar este tipo de ruído, o que o tornou mais robusto. E, como pode ser observado, não somente o deslocamento desaparece como a intensidade de variação num todo foi atenuada.


Figura 3 – Entrada Analógica no laboratório após correção


Por fim, foi feita uma análise sob os impactos dessa alteração, avaliando se esta não tornaria o módulo muito lento e, por consequência disto, pouco interessante ao usuário. Como esperado houve um impacto sobre a performance do módulo, mas o mesmo não se mostrou significativo, uma vez que este se destina principalmente a medições de temperatura, grandeza que usualmente varia lentamente.

Após este trabalho, o cliente foi contatado e aguardamos a sua disponibilidade para levar a campo a solução e ter uma validação definitiva deste problema. Com esse procedimento, pudemos entregar a solução que melhor atenda à sua necessidade, ao mesmo tempo que mantendo nossos produtos competitivos.

Luis Gustavo Schabarum

Sobre o autor:

Luis Gustavo Schabarum entrou para a família Altus em 2014 como Estagiário na equipe de Validação, no P&D. Hoje, ocupa o cargo de Assistente de Produto e é responsável pela identificação e correção de problemas em produtos aplicados em clientes.