A centenas de quilômetros da costa, em plataformas colossais que flutuam sobre águas com milhares de metros de profundidade, o processamento de hidrocarbonetos sob alta pressão e a gestão de ambientes altamente inflamáveis não admitem margem para erro. E por trás do funcionamento ininterrupto dessas estruturas offshore, estão os sistemas avançados de controle e segurança.
A história da automação no setor de Óleo e Gás brasileiro faz parte da evolução da capacidade de exploração do país. E é justamente nesse ponto de convergência entre engenharia e alta tecnologia que surge a Altus.
Fundada no início da década de 1980 como um projeto universitário, superamos as multinacionais para nos tornarmos uma referência no fornecimento de automação para a exploração em águas profundas e ultraprofundas.
Da universidade aos primeiros passos offshore
Anos 1980: o nascimento de uma tecnologia nacional
A trajetória da Altus teve início oficialmente em 26 de outubro de 1982. Em um período em que a indústria brasileira dependia quase exclusivamente de equipamentos importados, a ideia de desenvolver CLPs com tecnologia 100% nacional parecia audaciosa.
O primeiro grande marco da Altus aconteceu em 1984, com o lançamento da Série AL. Compacto e de custo acessível, essa série marcou a entrada da automação nacional nas plantas industriais. Naquela década, a programação dos equipamentos era feita em ambiente MS-DOS por meio do software AL-3832, com o uso de maletas portáteis de programação, uma forma pioneira de integrar uma tela dedicada para inserção direta de comandos no chão de fábrica.
Anos 1990: a conquista da Bacia de Campos e a alta disponibilidade
Com a consolidação da Bacia de Campos como o principal campo petrolífero do país na década de 1990, a exploração em águas cada vez mais profundas passou a exigir equipamentos com tolerância a falhas e arquiteturas redundantes.
Em 1991, a Altus apresentou ao mercado a Série AL-2000 com multiprocessamento e conectividade determinística em barramento RS-485, via rede ALNET II.
O destaque dessa geração foi a CPU AL-2017, um controlador focado em alta disponibilidade que trazia switchover automático (troca sem solavancos do equipamento principal para o reserva em caso de falha) e sincronismo de memória. Esse tipo de arquitetura abriu as portas da Bacia de Campos para a tecnologia brasileira, permitindo que os controladores nacionais assumissem o comando dos primeiros processos críticos em plataformas marítimas de produção de petróleo.
Leia a história completa dos nossos CLPs: 4 décadas de inovação: conheça o pioneirismo da Altus na indústria brasileira
Anos 2000: Garoupa e o desafio na Amazônia
Em 2001, o lançamento da Série Ponto marcou a introdução de servidores WEB e suporte ao protocolo HART diretamente na arquitetura dos controladores. Isso permitiu que diagnósticos técnicos e a supervisão de processos fossem acessados de qualquer ponto da planta, via rede Ethernet padrão.
Essa inovação foi decisiva para a automação da plataforma de Garoupa, na Bacia de Campos, uma das instalações offshore mais complexas e emblemáticas da história da Petrobras. Já no ambiente onshore, a versatilidade dos sistemas Altus foi testada no Gasoduto Urucu-Manaus.
Fomos responsáveis por projetar e implementar os sistemas de automação, instrumentação, elétrica e telecomunicações ao longo de 662 quilômetros de tubulações que atravessam o coração da Floresta Amazônica. Paralelamente, na Unidade da Bahia (UN-BA), conduzimos a modernização completa do sistema de controle das Estações Coletoras de Óleo de Carmo, Rio Taquipe e Almeida.
Anos 2010: O pré-sal e um dos maiores contratos da automação nacional
A descoberta das reservas gigantescas do pré-sal exigiu uma escala de processamento e confiabilidade sem precedentes na indústria. Em resposta a essa demanda, a Altus desenvolveu o Sistema Nexto, um ecossistema de automação estruturado sobre processadores RISC de alta performance e barramento baseado em Ethernet determinístico, capaz de gerenciar até 40.000 pontos de controle com respostas executadas em microssegundos.
Em junho de 2011, esse projeto resultou na assinatura do maior contrato da história da Altus: um negócio no valor de R$ 115 milhões, firmado com a Petrobras. A Altus foi selecionada para fornecer o Sistema de Controle e Segurança das oito primeiras plataformas flutuantes de produção, armazenamento e transferência construídas para operar em larga escala na camada do pré-sal da Bacia de Santos, conhecidas como as “FPSOs Replicantes” (P-66, P-67, P-68, P-69, P-70, P-71, P-72 e P-73).
Simultaneamente, a Altus assumiu o desenvolvimento do sistema para outras duas grandes unidades da Bacia de Campos: as FPSOs P-58 e P-62. Em cada uma dessas plataformas, o sistema fornecido pela Altus foi dimensionado para integrar cinco subsistemas vitais à operação em alto-mar:
· Controle e monitoramento de produção e utilidades: supervisão do tratamento do petróleo, da desidratação e compressão de gás, e da geração de energia elétrica.
· Shutdown do sistema de produção: desligamento automático de emergência de unidades de processo ao detectar anomalias.
· Detecção de fogo e gás: monitoramento preventivo e acionamento dos sistemas de combate a incêndio.
· Controle e monitoramento do casco (Hull): supervisão das variáveis operacionais e dos sistemas utilitários instalados no convés da embarcação.
· Shutdown de emergência do casco: isolamento preventivo e desligamento de emergência dos sistemas marítimos da embarcação.
Saiba mais: Empresa brasileira fará automação das oito plataformas da Petrobras do pré-sal | Exame
Consolidação da parceria com a Petrobras
A parceria contínua entre a Altus e a Petrobras teve um papel essencial para a automação industrial brasileira. Historicamente dominado por grandes conglomerados internacionais, o mercado de infraestrutura de petróleo exigia aprovação em rigorosas auditorias e conformidade internacional. A escolha da tecnologia Altus para equipar essas embarcações demonstrou que a engenharia nacional já tinha maturidade suficiente para responder às exigências do offshore.
Em vez de importar soluções prontas e inflexíveis, a proximidade entre as equipes de engenharia da Altus e os centros da Petrobras permitiu o desenvolvimento de arquiteturas customizadas. Entre os resultados dessa parceria, destacam-se o suporte direto a equipes de comissionamento onshore em estaleiros e a presença contínua de engenheiros embarcados, dedicados ao acompanhamento e à operação assistida offshore. Unidades como a P-66, que rapidamente se posicionou entre as plataformas mais produtivas do Brasil, e as P-68, P-69 e P-70 registraram índices recordes de eficiência operacional sob a nossa arquitetura.
Hoje, a tecnologia Altus é responsável por automatizar cerca de 18% de toda a produção brasileira de óleo e gás. Também estamos presente em aproximadamente 30% da produção total do Pré-Sal brasileiro com atuação ativa em 27 plataformas offshore, um volume que corresponde a cerca de 3% de todas as FPSOs em operação no mundo.
Ao unir pesquisa tecnológica, engenharia e forte capacidade de adaptação, a Altus construiu um legado que se reflete hoje nos resultados das bacias petrolíferas brasileiras e em sua presença consolidada no mercado global.











