O Novo Marco Legal do Saneamento no Brasil, sancionado em 2020, estipulou metas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, exigindo investimentos contínuos em infraestrutura, modernização tecnológica e otimização de processos. As concessionárias do setor, no entanto, ainda enfrentam gargalos estruturais complexos que impactam o atingimento dessas metas.
Entre os desafios mais críticos está o elevado índice de perdas de água nos sistemas de distribuição. Levantamentos recentes do Instituto Trata Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), apontam que o país ainda desperdiça entre 39,5% e 40,3% da água tratada antes que ela chegue aos consumidores finais. Esse volume perdido por vazamentos, pressões inadequadas na rede, fraudes e submedição representa um grande impacto socioambiental, além de uma perda expressiva de receita para as operadoras.
Os custos com energia elétrica, por sua vez, representam a segunda maior despesa das empresas de saneamento. Estima-se que os sistemas de bombeamento e as estações elevatórias consumam entre 80% e 90% de toda a energia elétrica requerida no ciclo do saneamento.
Com uma trajetória que ultrapassa quatro décadas de inovação tecnológica, sendo mais de 30 anos dedicados ao segmento de saneamento, a Altus se especializou no fornecimento de soluções de automação e controle para esse mercado. Confira mais detalhes dessa trajetória nos próximos parágrafos.
Da automação convencional ao Edge Computing
Desde o desenvolvimento das nossas primeiras gerações de CLPs, dedicados ao controle de máquinas e processos industriais, até as arquiteturas modulares de alta complexidade de hoje, construímos um sistema adaptado às particularidades operacionais e às condições climáticas dos biomas brasileiros, tão variados entre si.
A introdução de controladores como a Série AL marcou a transição inicial para sistemas de monitoramento centralizado. Esse avanço tecnológico culminou no desenvolvimento do Sistema Nexto, um ecossistema de automação modular projetado para combinar alta velocidade de processamento, conectividade expandida e robustez.
A evolução contínua da família Nexto permitiu estruturar soluções sob medida para diferentes escalas de aplicação no saneamento:
| Linha | Arquitetura e recursos | Interfaces e protocolos | Aplicação em saneamento |
| Nexto XP | Controlador com E/S integradas, CPU de alta velocidade, WebServer embarcado e diagnósticos via LEDs. | Ethernet, RS-485, CAN, USB; MQTT, OPC UA, PROFINET, Modbus RTU/TCP. | Poços artesianos, estações elevatórias de pequeno e médio porte, reservatórios e pontos remotos de telemetria. |
| Nexto XF | Processador ARM dual-core 64-bit de 1 GHz, inteligência distribuída, Linux embarcado com Docker e WebServer. | Dual Ethernet, RS-485, CAN, USB; OPC UA, MQTT, Modbus, PROFINET, EtherNet/IP, EtherCAT, OpenVPN. | Captação de água bruta, poços profundos, análise remota de qualidade e controle de processos de pequeno/médio porte. |
| Nexto NX | Processador ARM 64-bit de 1 GHz, suporte a Linux embarcado e virtualização por Docker, alta capacidade de memória. | PROFINET (com MRP), EtherNet/IP, OPC UA, EtherCAT, IEC 60870-5-104, MQTT, CANopen. | Grandes Estações de Tratamento de Água (ETA) e Esgoto (ETE), nós de integração para CCO e aplicações de Edge Computing. |
| SCADA BluePlant | Supervisão em tempo real, telas dinâmicas, relatórios operacionais, histórico de dados e dashboards web. | Conectividade direta com bancos de dados relacionais e integração com plataformas na nuvem. | Centros de Controle de Operação (CCO) regionais e salas de comando em plantas produtoras. |
Leia a história completa dos nossos CLPs: 4 décadas de inovação: conheça o pioneirismo da Altus na indústria brasileira
Conectividade, telemetria e centralização
As redes de saneamento se caracterizam pela grande extensão territorial e pela dispersão de seus ativos. Em uma única aplicação, centenas de infraestruturas se estendem por áreas urbanas e rurais, abrangendo desde captações de água bruta e complexos de tratamento até estações elevatórias intermediárias, reservatórios e poços tubulares. As soluções de automação da Altus podem atuar em cada uma dessas camadas. Veja mais detalhes:
Estações de Tratamento de Água (ETA) e Esgoto (ETE)
Nas plantas de tratamento, o principal desafio é assegurar a estabilidade dos processos físico-químicos e biológicos diante de variações na qualidade do efluente bruto e de oscilações na demanda de consumo. Os controladores do Sistema Nexto realizam o controle determinístico de malhas complexas, regulando parâmetros como pH, turbidez, vazão e oxigênio dissolvido.
A automação precisa das etapas de coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção reduz o desperdício de reagentes químicos e previne falhas operacionais. No tratamento de efluentes sanitários, o controle dinâmico exercido sobre os sopradores de ar nas etapas de aeração reduz substancialmente o consumo elétrico, que representa a maior parcela dos custos operacionais de uma ETE.
Nosso portfólio reúne diversas parcerias de sucesso, como a CAESB (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), a SANASA (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A), responsável pelo abastecimento de água e esgoto em Campinas (SP), o DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre), a CESAN (Companhia Espírito-santense de Saneamento), a COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), a CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) e o DAE (Departamento de Água e Esgoto de Santana do Livramento).
Também faz parte dessa trajetória o Ramal do Agreste, vinculado ao MIDR, um sistema hídrico que leva água do Eixo Leste da Transposição do São Francisco ao agreste em Pernambuco.
A experiência da Altus nesse segmento se reflete também em obras entregues em 2026, com destaque para a ETE São João, a ETE Vicente de Carvalho e a ETE Bertioga. Esses projetos contam com CLPs redundantes, o que garante maior disponibilidade e continuidade operacional aos sistemas de automação. O uso de arquiteturas redundantes reforça a confiabilidade, a eficiência e a disponibilidade das soluções Altus, contribuindo para a redução de paradas e para a operação contínua dos processos críticos de tratamento de esgoto.
Estamos presentes nas três maiores Estações de Tratamento de Água (ETAs) da Sabesp em termos de vazão máxima operacional/outorgada, o que reforça a nossa experiência e atuação em sistemas de abastecimento de água de grande porte.
Entre os principais destaques estão a ETA Guaraú, do Sistema Cantareira, com vazão máxima de 33.000 L/s (33 m³/s); a ETA Taiaçupeba, do Sistema Alto Tietê, com vazão máxima de 15.000 L/s (15 m³/s); e a ETA ABV (Alto da Boa Vista), do Sistema Guarapiranga, com vazão máxima de 14.000 L/s (14 m³/s).
A presença de soluções Altus nessas três importantes unidades demonstra a capacidade da empresa de atender sistemas de elevada capacidade e criticidade operacional, fornecendo tecnologias para processos essenciais ao abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo.
Telemetria de redes, poços e estações elevatórias
O combate às perdas de insumos exige monitoramento contínuo das pressões e vazões ao longo de toda a malha de distribuição. Pontos remotos, como estações elevatórias de água e esgoto, poços artesianos e reservatórios, costumam estar situados em locais isolados e sem infraestrutura de comunicação dedicada.
Para essas aplicações, os controladores Nexto XP oferecem alta conectividade. Equipados com portas de comunicação embarcadas e suporte a modems 4G via interface USB, os CLPs transmitem dados operacionais para bancos de dados SQL na nuvem ou para sistemas centrais, utilizando protocolos leves como MQTT e OPC UA.
Os dashboards acessíveis via WebServer integrado permitem que operadores monitorem variáveis críticas de bombas e níveis de reservatórios diretamente por dispositivos móveis, sem a necessidade de softwares supervisórios dedicados no local. Essa remotização eficiente minimiza a necessidade de inspeções presenciais rotineiras, reduz custos logísticos de manutenção e acelera o tempo de resposta das equipes de campo na contenção de vazamentos.
Centros de Controle de Operação (CCO) e gestão integrada
A centralização dos dados coletados em campo viabiliza a estruturação de Centros de Controle de Operação (CCO) modernos. Atuando como dataloggers inteligentes, os controladores Altus tratam os dados brutos e os disponibilizam aos sistemas SCADA corporativos.
Um exemplo dessa centralização estratégica foi o projeto de retrofit do CCO Sabesp Santos. A atualização dos sistemas de controle para o Sistema Nexto garantiu à concessionária visibilidade total sobre a logística de abastecimento de água e esgotamento da Baixada Santista. O acesso a informações tratadas em tempo real viabilizou manobras de rede mais precisas, regularização de pressões e tomadas de decisão mais rápidas diante de oscilações de demanda.
Impacto e eficiência operacional nas operações de saneamento
As soluções desenvolvidas pela Altus respondem diretamente às principais exigências operacionais do setor de saneamento, transformando os recursos técnicos dos controladores em benefícios práticos para a gestão das concessionárias:
| Desafio do setor | Causa da ineficiência | Solução Altus | Impacto e ganhos |
| Elevado índice de perdas de água | Transientes de pressão na rede e demora na localização de vazamentos. | Telemetria com Nexto XP, controle dinâmico de VRPs e leitura de pressão em tempo real. | Redução da pressão média de distribuição, mitigações de rompimentos de rede e controle efetivo de vazamentos. |
| Custos com energia elétrica | Operação ininterrupta de motores sem variação de velocidade e bombas fora do ponto ótimo. | Malhas PID integradas a inversores, agendamento de bombeamento e gestão tarifária. | Desligamento de elevatórias nos horários de pico elétrico e adequação da potência ao consumo real de água. |
| Interrupção de serviços em ambientes agressivos | Oxidação de eletrônicos por umidade; paradas por falha de controlador simples. | Placas com Conformal Coating, CPUs redundantes em hot-standby e troca a quente. | Garantia de continuidade operacional, alta disponibilidade da planta e preservação dos ativos de automação. |
| Custos com manutenção preditiva e de campo | Necessidade de visitas diárias a pontos remotos para verificação de parâmetros. | Dashboards via WebServer embarcado, edge computing com Docker e telemetria 4G. | Monitoramento remoto de status, redução de deslocamentos de equipes e diagnósticos operacionais mais rápidos. |
| Vulnerabilidade a incidentes de cibersegurança | Conexão de estações de controle remotas a redes abertas de comunicação sem encriptação. | Firewall integrado no CLP, comunicação via OpenVPN e suporte a OPC UA criptografado. | Proteção da infraestrutura crítica contra acessos indevidos e conformidade com diretrizes de segurança de dados. |
A Altus como parceira estratégica do setor de saneamento
A trajetória da Altus no mercado de saneamento mostra como o desenvolvimento de tecnologias alinhadas às necessidades do campo é capaz de transformar a gestão e a produtividade de serviços essenciais.
O percurso trilhado, dos primeiros controladores às plataformas modernas equipadas com inteligência de borda, redundância de alta disponibilidade e conectividade em nuvem, acompanha as próprias mudanças do setor de saneamento no Brasil.
Um exemplo dessa proximidade com o mercado está no desenvolvimento de produtos a partir da colaboração direta com clientes do setor. A Sabesp participou com sugestões no desenvolvimento da CPU NX3008, contribuindo para que suas características e recursos fossem alinhados às necessidades identificadas em aplicações de saneamento. Da mesma forma, a SANASA colaborou no desenvolvimento do módulo de entradas analógicas NX6014.
Essa interação entre fabricante e usuários finais permite transformar necessidades reais das operações de saneamento em requisitos de produto, aproximando o desenvolvimento tecnológico dos desafios encontrados diariamente nas plantas e nos sistemas de abastecimento e tratamento.
Ao integrar robustez física, cibersegurança e facilidade de operação, as soluções Altus oferecem às concessionárias públicas e privadas as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios de redução de perdas de água, otimização do consumo de energia e modernização das redes de distribuição. Diante das metas estabelecidas para a universalização do acesso à água tratada, a experiência acumulada e a inovação constante da Altus mostram que a empresa pode ser uma parceira estratégica no desenvolvimento de infraestruturas hídricas mais eficientes, sustentáveis e prontas para os desafios que estão por vir.











