Desafios e oportunidades para manufatura eletrônica com a nova revolução industrial

Desafios e oportunidades para manufatura eletrônica com a nova revolução industrial

18 Jan 2018

Mais de dois séculos já se passaram desde a primeira revolução industrial, que inseriu no contexto da sociedade a busca por produtos de menor custo, redução do prazo de entrega e maior qualidade. Por séculos esse tripé - custo, prazo e qualidade – tem sido a preocupação de indústrias brasileiras que lutam para encontrar o equilíbrio ideal. Quando se fala em manufatura eletrônica, então, a restrição do mercado doméstico a insumos de qualidade e de alto padrão tecnológico traz ainda mais dificuldades. Os componentes eletrônicos de maior valor agregado precisam ser importados e, em geral, isso aumenta o lead time do produto.

Até alguns anos essa dificuldade era "compensada" por um mercado mais restrito, com maiores barreiras logísticas. Hoje não mais. O acesso a indústrias eletrônicas de alto padrão é algo muito mais simples e comum na atualidade. São inúmeras as empresas brasileiras que estão levando seus produtos para serem montados fora do Brasil, enquanto muitas de nossas fábricas ainda lutam para encontrar o equilíbrio entre as três variáveis do tripé, em um ambiente econômico e político desfavorável. 

Albert Einstein dizia que "insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes". Na atualidade, insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar o mesmo resultado. Produzir com baixo custo, com qualidade e prazo adequado já não é suficiente para se obter sucesso. O mercado inseriu novas variáveis nessa equação, ele quer mais: flexibilidade, funcionalidade, modernidade, relacionamento e tudo isso mesmo com baixa escala. 

Algumas décadas atrás, a indústria eletrônica brasileira passou por uma grande revolução, onde importantes e grandes investimentos foram feitos na linha de produção por conta de novas tecnologias de componente e de processo produtivo. Deste então, tivemos evoluções importantes, mas incrementais, nessas linhas, sempre voltadas para maximização de resultados alterando as variáveis de custo, prazo e qualidade. Hoje uma nova revolução bate à nossa porta. Indústria 4.0, internet das coisas e segurança cibernética são exemplos disso. Novas oportunidades surgem com o nascimento das start-ups, seja de negócios ou parceria para desenvolver soluções.

O foco está migrando do hardware para a informação, software, e as fábricas de produtos eletrônicos precisam se adequar à essa realidade. As que tiverem maior velocidade e capacidade de adaptação tem maiores chances de permanecerem vivas para enfrentar o próximo desafio. Não há modelo infalível nem receita certa para o sucesso. Porém quem conseguir aproximar cliente, processo de P&D (desenvolvimento do produto) e processo produtivo, estará no caminho certo. Cada empresa precisará encontrar o seu nicho, aprimorar o seu modelo de negócio constantemente e ouvir o mercado. O foco, acima de tudo, precisa estar no cliente.

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Sobre o autor
Márcio ingressou na família Altus como estagiário em 1995 e, desde então, passou pelas áreas de TI, Engenharia e Industrial, exercendo funções operacionais e de gestão. Hoje, ocupa a posição de Gerente Industrial e é responsável por conduzir todo o processo de fabricação dos equipamentos produzidos na empresa.