Uma viagem pelo campo automatizado

Uma viagem pelo campo automatizado

08 Mar 2018

A alta representatividade do setor primário na economia do Brasil faz com que o agronegócio seja dos mais importantes na vida de todos. Muitas vezes somos informados de dados sobre esse importante segmento, porém, quando temos a oportunidade de sair dos grandes centros urbanos e rumamos ao interior do país via modal terrestre, podemos perceber, como testemunhas oculares, o impacto do agronegócio e todo o seu poder de movimento.

No início de janeiro passado, quando, em férias, fiz o trajeto de Porto Alegre/RS à Foz do Iguaçu/PR de carro, pude perceber e me surpreender com a vastidão de terras onde é cultivada soja. Rumando para o noroeste do Rio Grande do Sul, passei pelo oeste de Santa Catarina e adentrei no também oeste do Paraná para, então, chegar em Foz do Iguaçu. Durante este trajeto, passei por um oceano verde com a soja madura ou em fase final de amadurecimento (a colheita nos estados do Sul ocorre entre janeiro e maio).

Além do produto em si, consegui perceber o movimento de trabalhadores e implementos agrícolas para colheita e transporte de grãos. Máquinas trafegando, times de operação e manutenção dos implementos, carretas e mais carretas se movimentando com fertilizantes, produtos e soja para todos os lados.

Nesse momento, pude perceber que os armazéns das empresas que estocam e beneficiam este produto nunca ficam vazios, mesmo tendo dimensões colossais. Também verifiquei o motivo de navios atracarem nos portos para carga de toneladas e mais toneladas de grãos. Por fim, entendi como e porque as plantas de extração de óleo de soja e produção de biodiesel rodam sem parar dias e noites a fio.

Analisando todo este cenário, chegando na parte de produção industrial e fazendo a associação com o mundo da automação, fica lógico perceber a necessidade de se ter confiabilidade, disponibilidade e segurança, pois as plantas de extração de óleo de soja e produção de biodiesel são áreas classificadas, nos sistemas de controle destas plantas de beneficiamento produtivo.

Por tudo isso, fica claro o motivo pelo qual as indústrias de beneficiamento do agronegócio estão instalando sistemas redundantes de controle, com redes de comunicação de I/O em anel óptico redundante, conversores de frequências e soft starters em rede com protocolos de comunicação industrial abertos, bem como instrumentação de campo com capacidade de comunicação interligados a dispositivos de I/O analógicos com alta capacidade. Toda essa tecnologia entrega informações quanto a integridade dos equipamentos de campo e apoia a gestão dos ativos das unidades industriais.

Por tudo exposto acima, saudemos o nosso setor primário e sua incursão e precursão no mundo da tecnologia em automação industrial.

Maurício Torres, Projetista de Aplicação

Sobre o autor
Maurício Torres iniciou sua trajetória na equipe de engenharia da Altus em 2002 e, desde então, participou do desenvolvimento e implementação de inúmeras aplicações por todo o país. Hoje, ocupa a posição de Projetista de Aplicação, liderando projetos nos segmentos de Óleo & Gás, Energia Elétrica e Agroindústria.