A indústria nacional de óleo e gás (O&G) movimenta os mais diversos setores, começando pela construção civil, passando pela engenharia, construção e montagem eletromecânica até chegar à fase final do comissionamento dos sistemas envolvidos. E tudo isso, envolvendo um elevado número de pessoas. Enfim, essa indústria é dependente de uma complexa e grande rede de fornecimento. Mas, historicamente, somos um país com grande dependência externa, seja de fornecedores, seja de produtos.
Desde 1936, data do primeiro poço comercial no Brasil até o início da década de 1970, praticamente todos os insumos necessários para a construção de unidades indústriais de petróleo eram importados. Esse cenário mudou no período chamado de milagre econômico (entre 1960 e 1970) quando a Petrobras decidiu fazer investimentos em obras para garantir o suprimento de insumos no Brasil. Contudo, na segunda metade da década de 1990, houve uma redução do nível de investimentos da companhia e uma mudança na forma de contratação das obras.
O cenário voltou a melhorar significativamente no final do ano de 2003, ano da criação do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (PROMINP), um desdobramento da política de conteúdo local (CL), estabelecida anos antes pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis); com o objetivo de ampliar a participação da indústria nacional no fornecimento de bens e serviços e colocá-la em um patamar de competividade de classe mundial, de forma a transformar os investimentos no setor em geração de emprego e renda ao país. E, é nesse momento que temos o grande divisor de águas para a indústria nacional de O&G; uma vez que surgem os grandes projetos da Petrobras voltados à exploração de petróleo, principalmente na área do Pré-Sal.
Um destes grandes projetos foi chamado de “Plataformas Replicantes”, que tinha como objetivo, construir oito plataformas (P-66 a P-73), sendo que a construção integral dos cascos seria realizada no Estaleiro Rio Grande (ERG – ECOVIX) e os serviços de Topside e Integração seriam divididos e realizados em estaleiros do Brasil. Só para se ter uma ideia das dimensões desse projeto, estudos revelam que a construção de um casco novo custa em torno de US$ 2,5 bilhões, podendo gerar 10.000 empregos diretos no pico das obras. Já os serviços de integração de uma plataforma representam investimentos na ordem de US$ 1,7 bilhões e, no pico, podem gerar até 6000 empregos diretos. E, é nesse grande projeto que a Altus foi escolhida para ser a principal fornecedora de automação, mostrando sua competividade frente aos grandes “players” mundiais deste setor; uma empresa de tecnologia nacional controlando a exploração do petróleo no Pré-sal.
Infelizmente, somente a P-66 foi concluída dentro dos moldes previstos originalmente. Em função dos desdobramentos da lava-jato, fechamento da ECOVIX e negociação entre as partes, as P-71, P-72 e P-73 foram suspensas e todas as demais plataformas foram, tiveram ou terão alguma parte finalizada na China. Mesmo assim, com essa nova realidade, a Altus continua atuando e fornecendo suas soluções, seja através dos seus profissionais indo até o continente asiático (P-67 já está finalizada, P-69 iniciada e P-70 em andamento), seja aqui no Brasil (P-69 concluída e P-68 em andamento) para prestar todo o apoio técnico necessário a fim de concluir as etapas de comissionamento (finalização) destas plataformas.
Os ótimos resultados desses projetos já estão aparecendo. A P-66, primeira plataforma replicante em operação desde maio de 2017, é atualmente a sexta instalação em produção de petróleo com 135.391 bbl/d (Fonte). A P-69 entrou em operação em outubro do ano passado. Já a P-67 entrou em operação em janeiro deste ano. Ambas devem ter uma produção muito semelhante a sua irmã P-66, elevando ainda mais a produção de petróleo da área do pré-sal.
Participando diretamente desses projetos desde 2012, presenciei muita evolução. Vi muita coisa. Temos profissionais altamente capacitados que encontram petróleo e desenvolvem tecnologias de produção em lâminas d’água e profundidades que nenhum outro país conseguiu. Mas, por outro lado, alguns fornecedores pecam por não conseguir concluir as obras no prazo e/ou dentro dos custos previstos. Precisamos mudar essa lógica! Começando pela melhoria na gestão da engenharia nacional, banindo a cultura de que resultados devem estar atrelados a alterações de projetos e extensões de prazo e, focando sim, na engenharia de fato.
About the author
Regis Henz iniciou sua trajetória na Altus em 2008, como integrante da equipe de validação do setor de P&D. Após 3 anos, foi convidado a integrar o time de Engenharia no projeto de automação das plataformas P-58 e P-62 e, desde 2012, desempenha a função de coordenador técnico no projeto das 8 plataformas replicantes do Pré-Sal.